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MARGARINA (POR VALDETE)
Se a gente fosse fazer uma biografia. Eu já vou fazer 63 anos agora. É uma vida de muitos acontecimentos. Muitas coisas. A vó foi uma pessoa, ela era uma pessoa de personalidade muito forte. Se a gente for comparar. Ela morreu com 48 anos e ela era uma batalhadora. Tem coisas que eu lembro dela. Eu lembro da gente criança. Como a gente tinha as coisas na escassez. Hoje em dia, imagina, a gente compra margarina de pote. Compra um pote de margarina e às vezes fica o mês todo com aquele pote ali na geladeira, as vezes pra fazer um bolo ainda. Mas eu lembro que a mãe comprava uns tabletes, era uns tabletes de 200 gramas, que vinha embalado numa embalagem que era laminada por dentro. É que nem a gente compra tablete de manteiga hoje. Os tablete de margarida ela compra aquele, e aquele era só pro pai. Porque o pai trabalhava fora, o pai trabalhava no pesado, então ele não podia comer pão seco. Ele tinha que... né. O pão com margarina pra ele. pra ele não comer o pão seco. Porque ele trabalhava fora e ele que trazia o sustento pra casa. Então eu vejo hoje, eu lembro dessa situação e eu penso, meu Deus. Você vê, Porque ela dizia, nós podia comer pão seco. Mas a margarina era pra ele. E ela tentava... Eu lembro porque eu levava café pra ele quando ele trabalhava no Ribeiro. E eu ia levar café da tarde pra ele. E ela procurava mandar o melhor. As vezes tinha um troquinho, mandava passar na padaria e comprar um pão de minuto, um sonho. Uma coisa pra levar pra ele pro café da tarde. Porque ele trabalhava várias horas, ele trabalhava no serviço pesada, ele precisava. Pra poder trazer o sustento pra casa. As vezes eu lembro disso e penso, quando que hoje em dia você vai ficar guardando um negócio pro marido. Quem tem vai na mesa, quem tá ali come, quem não tem, não tem. Então são coisas assim que as vezes eu lembro isso, é bem interessante. Sempre lembro disso né?

BERÇO DE MADEIRA (POR VALDETE)
Eu tinha lembranças bastante de criança. Depois na fase adolescente. Como eu comecei a trabalhar muito cedo. Depois logo eu casei. Então não tinha assim aquela coisa toda. Mas... como eu era a mais velha. Como eu sou a mais velha, era não né, como eu sou a mais velha. Eu senti, eu tenho, eu  fiquei, Eu não sei. Eu fui uma pessoa que sentia muita carência. Aquela coisa de carinho de mãe. Aquela coisa assim. Imagina. Quando eu nem andava ainda a Nida já nasceu. Então eu já tive que ser largada dentro de um carrinho de madeira que o meu pai fez. Botou umas rodinhas que a mãe ia lavar a roupa lá na beira do rio, botava eu e a Nida dentro pra levar pra beira do rio pra lavar a roupa. Então eu nem andava ainda e já tinha perdido o colo. E talvez por isso eu sempre que tive que ir me virando. Então, como eu te disse, já cuidava deles com cinco ou seis anos, já tinha que cuidar dos menor. Sempre foi assim, tinha que cuidar dos menor. Então eu lembro de quando eu era criança. Se comprava um kg de banana, se não dava uma penca, não dava uma banana pra cada um, porque nós éramos muitos. Um kg de banana não dava. E acaba ficando sem. Eu ficava muito indignada, porque eu achava que podia pegar, tipo eu e a Nida com a metade. Não, eu ficava sem. E eu tinha que aprender a ficar sem. Isso era coisas que eu fui levando pra minha vida adulta. Depois que eu casei. Eu tinha muitas... saudade da minha mãe, eu achava que ela devia vir mais vezes me visitar. Ela morava em Otacílio Costa. E às vezes eu ficava sabendo que ela foi pra Lages e que ela não passou lá em casa. E isso nossa. eu ficava muito triste com isso, porque eu pensava, poxa. porque eu ficava um tempo sem ver ela . E às vezes eu sabia que ela passou por lá. (...)

DISTÂNCIA DA MÃE (POR VALDETE)
Relatou que sofreu dois abortos antes da filha Gisele, e que os vizinhos ajudaram. Marido viajava nessa época. Ficou três dias no hospital e a "minha mãe que morava ali 50km de distância nem vinha me ver". Quando foi operada da apêndice também foi assim. E quando ela apareceu pra visitar, já estava fazendo tudo serviço de volta. Relatou que a vó veio ver a neta mais velha já tinha mais de 10 dias. Nem foi lá me ver ver logo que a neném nasceu".

FOGÃO DE LENHA (POR VALDETE)
"Acho que isso era uma coisa dela, mas...era uma coisa que na época eu ficava muito triste, mas depois os anos passaram, a gente vai seguindo a vida da gente neh, e isso fica pra trás. O interessante é que quando fala de voltar afita e olhar lá atrás, você fica pensando assim. O pior é que...né? Isso talvez era comigo, que era a mais velha, porque... depois com os outros já não era assim. A Nida, a tua mãe ... assim elas, nossa senhora, a mãe por elas, ela fazia muito muito muito. Então sei lá. São coisas que ficaram, são marcas. Mas eu não tenho nenhum ressentimento mais por causa disso, aprendi a me livrar dessas coisas. To falando agora porque eram coisas que na época ficou muita marca. Talvez por isso que eu tenha tido só uma filha. Porque como nós era em muitos e dai eu sempre sobrava de tudo neh. Então no inverno, tinha o fogão de lenha. Os pequenos tinha que sentar perto do fogão pra se aquecer. Porque ninguém tinha agasalho quente também pra se aquecer e eu tinha uma vontade de ficar lá perto do fogão mas eu não podia porque eu ainda tinha ainda que ficar caçando sapato pra um e meia pra outro. E talvez por causa dessas coias eu pensava, meus Deus eu tinha trauma de ter muitos filhos. Mas isso é coisas assim da vida neh?

RELEMBRANDO A MÃE (POR VALDETE)
"São lembranças que ficam. Ela me deu a vida, por isso que eu estou aqui hoje. Graças a minha mãe. Que foi uma batalhadora neh. Do jeito dela neh, mas ela fez o que ela podia de melhor. Ela sempre foi uma boa mãe. Do jeitinho dela".


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