Memórias Bonitas


TIA DETE

Quando criança, a família morava no Macacos. Depois mudaram para Lages e foram morar no bairro São Cristóvão. Havia um ônibus que vinha de Canoas para Lages da Cia. Rex. Vinha de manhã e volta a tarde pra Canos novamente. Já que eles moravam na cidade, o compadre do Vô (Padrinho do Vilmar) todo dia mandava 10 litros de leite por esse ônibus. Mandava por aqueles galões de alumínio de leite. O ônibus chegava todo dia às 9h. Assim, a vó Iraci caminhava 3 km todo dia para buscar o leite na parada de ônibus. Caminhava até em casa com o leite. Às 16h precisava voltar até no ponto de ônibus novamente para poder levar o galão pra que pudessem trazer o leite no dia seguinte.  Isso aconteceu no ano de 1963.

Tia Dete, a mais velha, nasceu em 1957 (tinha 6 anos). Já o Tio Beto era recém-nascido, tinha só três meses, porque Dona Iraci (minha avó) estava grávida quando eles mudaram pra Lages. Tio Beto nasceu em setembro daquele ano.

Tio Beto era muito pequeno, mas a vó tinha que deixar ele pra ir buscar o leite. Então deixava ele com a tia Dete, a filha mais velha. O tempo de buscar o galão de leite era de uma hora a uma hora e meia. Fazia isso duas vezes no dia.

Vó Iraci deixava tio Beto ficava no bercinho, Tia Kéia, que tinha dois aninhos, ainda era uma bebê, para a tia DEte cuidar. Além disso, tinha também a Tia Nida, de quatro anos. A Dete tinha só tinha seis anos. Além disso, precisava cuidar do fogo no fogão a lenha e o feijão que ficava cozinhando. Ela não podia deixar o fogo apagar e tinha que ficar de olho nas crianças.
Certa vez, a Kéia começou a chorar muito e o bebê Beto também. Dete pegou ele no colo. Pediu para Nida ajudar. Sentou na faixa de lenha. Um em cada lado. O bebê num braço e a Keia sentada na outra perna. Perto do fogão. Embalava os dois. Ficou cuidando dos dois até a mãe chegar. “Isso foi uma cena que eu nunca esqueci”.

“Eu acho isso uma memória bonita”

“Uma coisa que me marcou bastante, que eu às vezes fico pensando, como minha mãe era uma pessoa dedicada. Porque nós éramos muito pobres e nós não tínhamos como comprar roupa boa pra nós. Ela comprava tecido numa loja que tinha do Zonta, lá em Lages. Eles vendiam retalhos da loja Renaux de Brusque. Ela comprava aqueles retalhos e fazia roupa pra nós. E comprava tecido azul marinho e fazia saia de uniforme. Porque a gente tinha que usar saia de uniforme azul marinho pra ir pra escola. Camisa branca, sapato preto. E ela confeccionava a nossa roupa. Sem nunca ter tido um curso de corte costura, sem nunca ter, neh? Eu não sei como ela conseguia essas coisas. É porque ela era uma pessoa esforçada realmente. Muito dedicada. Então ela conseguia fazer isso. E eu acho isso uma coisa, que às vezes eu lembro, e hoje em dia eu penso: nossa, ninguém consegue fazer. Minha filha não consegue costurar nada, nem agulha tem em casa. Porque nem dá conta de pregar um botão. Então eu vejo como ela era dedicada, esforçada e muito batalhadora”.

TIA NIDA

A mãe Iraci gostava muito de tocar gaita. Quando terminava o serviço, ela fica ali uma hora duas horas tocando e desestressando na gaita. Ela não sabia tocar todas as notas mas adorava tocar gaita.

TIA NEGA

Quando a gente era pequena. Ela sentava na nossa cama. E nos ensinava a rezar.

E isso era uma memória boa que eu tenho dela. Tem outras também. Ela fazendo docinhos de natal pra gente. Ela rindo, contando piadas. Sempre alegre com tudo. Se for enumerar todas vai tomar muito tempo. 


TIA KEIA

Eu lembro que ela cuidava muito do Joça e do Mile quando tiveram sarampo. Quando o Beto caiu e quebrou os dentes. Ela cuidava muito. Tinha muito cuidado com os filhos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Rabo de Tatu em Tradu-Circulação : E-book.

Para acessar click em: https://drive.google.com/drive/folders/1ZknoQj8wV7JG0gR6DFu1i1zbI4v-nprM?usp=sharing