A questão que era dela isso, era aquela coisa. Tenho duas coisas assim que posso dizer que era dela.
Aquela questão de educar, ela não conversava, ela só batia. O pai nunca bateu em nenhum filho. Mas a mãe batia muito. Eu acho que isso era o jeito dela de educar. Eu até acredito. Eu fico me imaginando, com 36 anos ela já tinha os onze filhos. Eu me imagino que se eu fosse ter tantos filhos assim, eu ia ser mais ou menos assim. Então ela dava um grito e não tinha chance com ela. Se na segunda vez que ela te chamasse, podia tá na rua brincando, mas se deixasse ela chamar a segunda vez, ela ia te encontrar com uma vara, com um chinele ou com o que ela tivesse na mão. Não dava pra deixar ela chamar a segunda vez.
Agora o que eu acho que era bem marcante dela. Uma coisa que todo mundo, os mais velhos sabem. É que ela gostava muito de coisas coloridas. Roupas coloridas. Você nunca via ela usando uma roupa neutra, ou de uma cor só. Nunca lembro de ter visto minha mãe usando um roxo, um preto, ela falava que isso era cor de defunto. Ela gostava de laranja, verde florescente, cores vistosas, luminosas, coisas que chamavam atenção, blusas estampadas. Então eu acho que isso era dela. É tanto que os anos passaram, sempre sempre que a gente via alguém com alguma coisa chamativa a gente dizia: tá vendo? Ali tá avó Iraci, porque isso era dela. Roupas estravagantes mesmo. Ela gostava de roupa bem florida, colorida, isso era próprio dela. Isso marcou muito. Se pedir pra Nega pra Nida todo mundo vai lembrar que a mãe gostava de coisas assim.
Ela era muito, galinha com pinto embaixo das asas. Ela fazia
qualquer coisa, qualquer coisa mesmo pra defender os filhos. Ela era muito
decidida. Decidida mesmo. Quando ela achava uma coisa que ia dar certo ela
fazia. Quando ela inventou de por o bar. Que era um jeito de ganhar dinheiro e
quanto que ela não conseguiu. Ela dizia: um balcão aí é o jeito de melhorar de
vida.
Outra coisa é que ela tinha muito medo. Não sei porque ela
tinha tanto medo. Ela tinha medo de andar de carro, mas andava, mas tinha medo.
Ela tinha medo de trovoada. De andar de carro de precipício, era coisa que
apavorava ela. Tinha medo de ladrão e ao mesmo tempo que ela tinha medo. Ela enfrentava
tudo, sabe? Ela tinha aquele medo , acho que vem de infância, isso. Ela tinha
medo assim daquelas coisa que tem perigo. Não sei se isso era ruim ou até era
bom no final. Porque de tanto medo que ela tinha, eu acho que ela evitava. Ela
dizia: não é porque Deus cuida que você vai pular no peral. Era assim uma garra
que ela tinha.
Outra coisa que era dela. Tinha muito ciúme do vô.
O pai chamava ela de pimenta, de tanto que ela era brava,
mas ao mesmo tempo que ela era brava ela era amorosa, não sei nem como
descrever, é difícil. Ela era uma pessoa de garra.
Avó era muito religiosa, muito devota aos santos
Ensinou a respeitar a deus.
Respeitar os mais velhos.
Aquele tipo que Ela ensinou nós.
Apesar de ela meter o cacete em nós.
Mas ela fazia de tudo pros filhos, pra proteger nós.
Se algum filho ficasse doente.
Ela fazia de tudo pra cuidar.
Ela podia ficar uma semana cuidando.
Que nem quando deu sarampo na turma. Sete pegaram de uma vez
só.
Ela ficou praticamente sem dormir.
Não precisou de médico de nada. Nós tudo de casa.
Ela cuidou, fez tudo.
A mãe tinha mania de imitar uma tia da gente, e dai ela ia
contando e rindo e ela se afinava de tanto rir. E ela começava a chorar de
tanto rir. E era da personalidade dela. De rir e contar história engraçada e
rir muito com a gente. Ela tinha uma personalidade forte. Era brava. E a gente aprontava
bastante.
Uma coisa marcante é que ela sempre ria e contava histórias
engraçadas pra gente. Isso era único nela.
Ela era brava. Baixinha. Gorda e quando ela colocava a mão
na cintura, minha filha sai de perto que a coisa tava feia. E se correr se
apanhava. E agente sempre corria e apanhava dobrado.
Eu que eu lembro da mãe que ela fez pra mim. Quando eu tinha
13 pra 14 anos que ela me defendeu. Eu até me assustei. Eu trabalhei numa casa
e a mulher não queria me pagar. Dai a mãe foi lá e me defendeu e enfrentou a
mulher que não queria me pagar. Então é assim, ela era muito sorridente,
gostava de festa, gostava de roupa muito floridas. Não gostava de roupa preta,
odiava preto. Gostava de coisas que alegrasse ela.
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