TIA DETE
Eu vou lembrar de quando ela ficou doente neh.
Isso é uma coisa ruim. É uma memória triste. Porque quando ela tava doente ela
não sabia que ela tinha câncer. Até então ela achava que ela tinha problema de hemorroida
e ela achava que isso ia passar. Porque ela tinha um trauma muito grande, que
ela , da palavra “câncer”. Ela não falava a palavra, ela dizia: aquela doença.
E como ela era muito traumatizada com essa doença. A gente tinha um medo muito
grande, que se ela soubesse o que ela tinha, ela era capaz de morrer antes. Então
a gente tentou preservar ela ao máximo que pôde e nunca contou pra ela o que
ela realmente tinha. Mas sabíamos que ela tinha os dias contados. O médico
tinha dado pouco tempo de vida, mas a gente nunca contou pra ela. Então isso é
uma memória ruim. Até porque quando apareceu o câncer eu morava em Lages e ela já
morava em Jaraguá e no primeiro momento assim, foi... eu queria vir ver ela.
Ela tinha ido pra Florianópolis, ela ficou quarenta dias internada lá, fazendo
o que na época eles chamavam de aplicação. Hoje eles falam que fazem quimio,
faz rádio, faz... mas naquela época, dizia : ela foi pra lá fazer aplicação, no
útero porque ela tinha tirado o útero. A Gisa era pequena tinha, sei la, dois três
anos. E eu não tinha nem condições nem de vir pra Jaraguá. E olha , eu fiquei
desesperada, quando eu soube que ela tava lá em Florianópolis internada e eu
tinha uma vontade imensa de ver ela. Então eu vendi, eu tinha um fogão de lenha
e um a gás. Eu fiquei só com o meu fogão a gás. Eu vendi o meu fogão a lenha
pra mim arrumar dinheiro, pra vir pra Jaraguá. Dai aqui em Jaraguá, eu e o pai
com a Gisele pequena, porque eu vim sozinha, o Rogério ficou em Lages, porque a
gente não tinha como viajar os três pra cá. Porque só eu pagava a passagem, a
Gisele era bem pequena. Eu vim e a Queia veio junto também , porque ela tinha o
Alexsandro pequeno também, aí a gente veio de ônibus pra Jaraguá. Daí chegamos
aqui e fomos com o pai de ônibus com oi pai pra Florianópolis bem de manhãzinha
lá visitar a mãe. E a gente fez uma visita pra ela, passou o dia com ela. No
final do dia a gente pegou o ônibus de volta e voltamos pra Jaraguá e no outro
dia eu voltei pra Lages. Então essa é uma história chata, ruim que marcou
muito. Porque no desespero pra poder ver ela, eu não tinha como vir e foi a
única solução que eu achei e era a única coisa que eu tinha pra poder vender era
o fogão porque eu tinha dois. Então eu vendi meu fogão a lenha pra fazer isso.
Então eu voltei pra casa e ela ficou boa por dois anos, recuperou o peso e daí
dali dois anos a doença voltou e ela aguentou dois meses só e foi morrer lá na
minha casa. Então isso é uma memória chata e ruim e que marcou muito né!
TIA NIDA
“A avó era muito brava. Qualquer coisa ela metia o cassete
na filharada”. Mas hoje em dia eu penso que não era fácil, tanta criança, ter
que manter tudo, cuidar, fazer comida, lavar roupa, cuidar de toda aquela
criançada. Imagina um monte de criança tudo junto. O tanto que não capetiava
ela. Hoje eu entendo. Eu, na época, achava isso muito chato, que ela era muito brava.
Vivia surrando a gente. Mas hoje em dia eu até entendo isso aí.
TIA NEGA
Eu ficava bastante chateada. Falava palavrão feios. Nem
convém lembrar agora. Eu nem vou falar disso aí. Prefiro esquecer.
TIA KEIA
Tinha muitas. Porque a gente apanhava muito. Ela não pensava
onde que ela ia bater. Ela sempre batia muito na gente.
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