Eu cheguei a apanhar muito com o Rabo de Tatu. (Pausa). Vou mandar a foto dele pra ti. Depois se você quiser ele, pode usar, pode levar e na hora que não usar mais, a gente guarda ele. Porque isso é uma coisa que... Você vê quando ela veio morar pra Jaraguá eu fiquei com esse Rabo de Tatu. Ele até tinha uma argola que era de bronze e depois a mãe emprestou esse Rabo de Tatu pra um tio, irmão do vó Tacílio que ele tinha uma carrocinha e ele usava pra bater no cavalo. E ele deixou cair e quebrou aquela argola. Hoje ele tá com uma argolinha feita de crochê, que eu até fiz, porque as meninas todas já levaram isso na escola. A Gisa já levou uma exposição na escola e a Maria já levou também uma época. Ano passado ou retrasado, que era pra levar coisas antigas assim, que os avós usaram. E a Maria também já levou. E eu vou mandar ele pra ti.
Tenho duas histórias.
Como eu disse, a mãe era muito de bater. A gente já sabia no primeiro grito dela, você vinha correndo. Era uma coisa que a gente sabia. Ela batia sem dó. Batia mesmo. E a Nega, tinha um costume de desmaiar muito. Uma vez ela pegou a Nega e começou a bater na Nega, E de repente eu olhei a e Nega ficou toda pálida e soltou o corpo e desmaiou, Quando eu vi que a Nega tava desmaiando. Eu fiquei apavorada e pulei na mãe assim pra querer fazer a mãe parar de bater na Nega. Eu achei que ela tava matando a Nega. E quando eu pulei nela e empurrei ela. Nossa Senhora, Aí o que aconteceu. Ela parou de bater na Nega e começou a bater em mim. E ela tava batendo com uma cordinha. A gente falava corda de imbira. sabe essas cordas? Corda de corda mesmo. Corda de imbira. Tava batendo com uma corda dobrada. E conforme ela deu as puxadas. Eu fiquei acho que umas duas semanas com as marcas assim. Aqueles vinco nas costelas, nas costas, nos braços, porque ela corda dobrada com meio metro de dobrada. Devia ter um metro de comprimento. Cada puxada que ela deu foi ficando as marcas assim. Eu fiquei com aquelas tiras do sangue que puxava assim atravessado nas costas. Eu devo ter ficado umas duas semanas nas costas e nos braços. Porque ela ficou com muita raiva que eu avancei nela. Mas realmente na hora eu achei que ela tava matando a Nega, porque a Nega desmaiou. E assim que ela passou a me bater a Nega melhrou e saiu correndo neh? E eu levei . Tive que apanhar por mim e por ela. Mas eu já a perdooei e tenho certeza que ela também... Era o que ela tinha, o jeito que ela tinha pra educar era esse. Porque era assim ó, hoje eu vejo: uma pessoa numa situação difícil, com pouca grana, porque o pai sempre ganhava ... meu Deus quando nós era em sete o pai ganhava salário mínimo. Pense. Aquela montoeira de filho com uma micharia de dinheiro. Então eu acho que a falta das coisas fazia ela ficar muito nervosa, com aquela filharada, todo mundo precisando das coisas, a tá ali. Então eu acho que isso fazia com ela também. neh? Imagina como ficava a cabeça dela. Então eu não a culpo por isso.
Esse eu conheci. Eu conheci muuuuito bem.
Uma vez eu e a Dete, nós era pequena ainda. Ah vamos encontrar
o pai. Acho que dava uns 500 metros de onde a gente morava. E naquela época não
tinha casa nenhuma lá onde a gente morava. E nós inventamos de esperar o pai
depois do trabalho. Menina, veja as
ideia. Nós fomos depois do almoço e o pai só saía do trabalho à noite. A mãe
procurou nós a tarde inteira. E aí um vizinho avisou a mãe que nós tava lá
embaixo na estrada principal. Daí alguém foi lá e avisou que era pra nós voltar
pra casa. Dai nós voltamos neh, a gente já sabia. Ela tava bufando. Dai tá, ela
surrou a Dete, e eu fugi. Eu não queria apagar. Dai imagina que se essa mulher
já tava brava. Eu fugi pra perto da nossa casa que tinha um campo de futebol.
Corri e ela não conseguiu me pegar. Dai depois que a Dete já tinha se acalmado.
Já tinha parado de chorar. A Dete foi lá e me pegou pra mãe. Menina do céu.
Apanhei tudo que tinha direito aquele dia, mas lascou aquele rabo de tatu que
eu acho que fiquei marcada pra mais de uma semana, mas daí ela descascou a
raiva dela.
Só que a mãe batia em nós só, ela surrava, nada que pudesse
se prejudicial pra saúde assim. Agora as
pernas e a bunda minha filha, aquilo que ela pudesse com a corda ou o rabo de
tatu, ou que ela tivesse na mão.
Eu conheci. Senti na pele muitas vezes. Era uma puxada e uma
mijada. Porque era muito doído. A
Dete guardou de recordação, mas não gosto de lembrar dele não. Porque era muito
doído apanhar com aquilo.
Eu apanhei algumas vezes e uma história que ficou marcada. Nós
éramos criança e não tinha televisão em casa. É que eu fui assistir TV na casa
da madrinha do Diamir. E eu tava lá brincando e a Kéia veio me chamar. Quando
eu me aprontei pra sair. Pra ir pra casa. Ah, é mentira, eu só queria que vocês
me deixasse brincar com vocês. Dai eu disse: é mentira? A mão não tá chamando
mesmo? E ela disse: Não. Dai passou uns quinze, vinte minutos. Eu escutei a mãe
chamando. Dai ela disse: Ah a mãe tava chamando mesmo. Dai eu disse: Se eu
apanhar eu te pego depois. Porque a gente já sabia, se não fosse na hora que a
mãe chamava o castigo vinha né. E quando eu saí , a mãe tava com a mão pra trás,
eu já imaginei que ela tava segurando o bendito do rabo de tatu. A Kéia passou e
levou uma puxada. E eu fiz o contorno por fora da rua e fui correndo pra entrar
em casa. E quando eu cheguei no portão, a mãe se virou e eu também e só pegou o
vento no meu vestido. E eu saí
correndo. Dai a Dete abriu a janela da frente e já abriu a janela pra eu entrar
e não apanhar. Mas as pernas não aguentaram. A gente tinha tanto medo do rabo
de tatu que a gente nem conseguia sair do lugar. E a Dete dizia: pula a janela,
pula a janela. Mas o medo foi tanto que dai a mãe chegou perto de mim e eu
desmaiei. E eu acabei não apanhando. Mas a mãe ficou muito brava e me colocou
de castigo na cadeira. E ela brigava falando comigo. E eu acabei não apanhando.
Eu desmaiava pra não apanhar.
Rabo de Tatu, eu conheci e apanhei muito com ele. Então eu
tenho trauma de Rabo de tatu. O Altair tem um lá em casa e eu não gosto. Tenho
só lembrança ruim de tanto que eu apanhava.
Eu não tenho lembrança boa de quando era pequena. Não podia
nem usar um shorts que tinha as pernas tudo marcada. A mãe tinha preferência
pelos filhos ne que era : a tua mãe, a Nida, a Cláudia e os piá. Então esses
eram o xodó dela. Então toda vida, eu a nega e a Dete nós apanhava mais. Então
talvez era o jeito da mãe. Mas é que tudo muda. De certo era o comportamento
dela que era criada daquele jeito, mas a mãe tinha preferência pelos filhos.
Então eu não sei. Pra mi eu apanhei muito. Eu sei que ela foi criada daquele
jeito. Eu procurava não bater nos meus filhos, porque eu apanhei muito.
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