Texto 1- ensaio 1 – cozinha do Moinho de inventos
Era uma tarde fria de inverno.
O sol entrava pela janela da cozinha e desenhava na toalha da mesa poemas de luz e sombra.
E assim começamos nosso inverno, recolhidas entre memórias, partilhas, objetos, lembranças, saudades e nostalgias.
Ali envolta ao calor do sol e do passado - que as vezes é o que aquece, outras é aquilo que ainda queima, que arde e que também nos move - demos inicio a nossa caminhada na feitura do espetáculo “Rabo de tatu” que, começa com a avó da Suzi, mas que tbem é sua mãe e é a própria Suzi.
E ali na mesa da cozinha, cenário de tantas vidas e acontecimentos cotidianos marcados na pele de muitas gerações, serão agora recolhidas e acolhidas.
Tantas mulheres que fazem parte de nós! Que se juntam , modelam, fermentam aquilo que somos hoje e talvez o que seremos amanhã.
Diante de suas histórias, dos afetos, do passado embrulhado num vestido de noiva nunca usado; temos o presente e o futuro para, perpetuar ou transformar ou liberar ou apenas remexer, entender, nos entender, encontrar nosso lugar de pertencimento, nosso lugar no mundo ali fora e principalmnte, aqui dentro.
Não é só sobre elas, é muito mais sobre nós... aquilo que somos e aquilo que ainda queremos ser ou não.
Conduzidas pelos objetos, que são o retrato de cada mulher ali sentada conosco ao redor da mesa, e que foram as testemunhas de muitas Lene, mari, maria, Tereza , avós, mães e filhas , demos início a costura feita a mão, de uma machada toalha de mesa, para um almoço em família, que talvez nunca tenha acontecido antes.
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